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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Afinador de Silêncios

"Minha vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silênci. E todo o silêncio é música em estado de gravidez.
Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhando, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.
- Venha, meu filho, venha ajudar-me a ficar calado.
Ao fim do dia, o velho se recostava na cadeira da varanda. E era assim todas as noites: me sentava a seus pés, olhando as estrelas no alto do escuro. Meu pai fechava os olhos, a cabeça meneando para cá e para lá, como se um compasso guiasse aquele sossego. Depois, ele inspirava fundo e dizia:
- Este é o silêncio mais bonito que escutei até hoje. Lhe agradeço, Mwanito.
Ficar devidamente calado requer anos de prática. Em mim, era um dom natural, herança de algum antepassado. Talvez fosse legado de minha mãe, Dona Dordalma, quem podia ter a certeza? De tão calada, ela deixara de existir e nem se notara que já não vivia entre nós, os vigentes viventes. (...)
Ao longe, se entrevia, na janela da casa anexa, uma bruxuleante lamparina. Por certo, meu irmão nos espreitava. Uma culpa me raspava o peito: eu era o escolhido, o único a partilhar proximidades com o nosso eterno progenitor.
- Não chamamos Ntunzi?
- Deixe o seu irmão. É consigo que mais gosto de ficar sozinho.
- Mas eu estou quase a ter sono, pai.
- Fique só mais um pouco. É que são raivas, tantas raivas acumuladas. Eu preciso afogar essas raivas e não tenho peito para tanto.
Queixava-me eu de sono, mas era ele quem adormecia."




Mia Couto, Jesusalém

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Try a little tenderness

"Women do get weary
Wearing the same shabby dress
And when she's weary
Try a little tenderness
She may be waiting
Just anticipating
Things she may never possess
But while she's without them
Try a little tenderness..."




Michael Bublé - Try a little tenderness

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Concerto

Quando se assiste a um concerto com vários instrumentos, com várias vozes o que acontece é que ouvimos a harmonia dos sons. Não distinguimos um instrumento do outro, não conseguimos perceber a quem pertence cada voz.
Só quando nos concentramos no que queremos ouvir é que conseguimos, de facto, ouvi-lo.
Adoro o som do piano mas, só quando quero ouvir o piano, consigo distingui-lo no meio de todos os outros que, sonoramente, são mais altivos.
Extrapolando esta metáfora, o que quero dizer é que, às vezes, não consigo ouvir... no meio de todos os sons que entram e dançam na minha cabeça... às vezes distraio-me...
Sou observadora mas a distracção ataca...
É bom que me vão lembrando que ainda não prestei atenção ao som do... oboé... da tuba...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Stop crying your heart out

O ser humano gosta do controlo. Gosta de controlar a sua vida, o que vai acontecendo. Mas não conseguimos controlar tudo, há situações que fogem ao nosso controlo.
Vale a pena investir no que depende das nossas decisões.É certo que nem sempre decidimos correctamente, mas é um risco que se corre.
O que foge do nosso controlo... bem, não podemos viver na angústia permanente do que pode ou não vir a acontecer, tentar fugir constantemente, nem viver sentindo a frustração sempre que a vida não toma o rumo pretentindo. Há inevitavelmente um imenso número de circunstâncias que se alteram sem que a nossa vontade seja tida em conta. Nesses casos, é reagir, agir e fazer o que tem que ser feito. Depois pensa-se no que seria se... tudo tivesse sido de maneira diferente mas, convenhamos, para quê pensar nisso? Não foi de maneira diferente, nem será...
Parece preferível concentrar energias no que, de facto, está ao alcance do frágil humano.
O resto... temos que deixar mesmo acontecer... o que será, será... mesmo que seja doloroso, mesmo que ainda não estejamos preparados... é fazer o que tem que ser feito, chorar, curtir a fossa o resto do dia e... quando o sol começa a pôr-se e aparece o arrebol... passear pela zona da cidade que mais se gosta... deixar em Deus o que é tarefa Dele e avançar, devagarinho...



Oasis - Stop crying your heart out



"Don't be scared you'll never change what's been and gone (...) Just take what you need and be on your way and stop crying your heart out"

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Laughing Loudly

Kate Havnevik - Unlike me

There are no guarantees in life
Not for the present,
Nor for the future.
All I know is
That I'm here;
Don't know for how long.
I love the way
You live so intensely
Enjoy every minute of life
With space to swing
Your arms around
Laughing loudly
Unlike me
Unlike me
Do you think
I'm strange?
Unlike you
Unlike you
I am not pretending
There is no time,
There is no time,
There is no time,
Time doesn't really exist.
The past, the present,
And the future,
Are all side by side,
Hand in hand.
You move and change,
Yet you go nowhere:
Everything stays the same.
You stare at me,
And ask me questions,
Makes me nervous,
This room it keeps a constant tone
While I'm on a roller coaster


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sing to me

Adoro Coldplay...

"Please, please, please come on and sing to me to me, me..."

Coldplay - In my place

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lucro

Vale a pena criar expectativas?
Parece que não... É ir pensando por baixo, o que vier de bom já é lucro.
Rasgue e ponha no lixo, não me serve para nada! nem para reciclar!
Acho que precisava descontrair... Mas então! Valeram-me alguns momentos...


Sarah McLachlan - Angel